Carlos Dias apresenta Poesigrafia

O despertador

Eu percebo quando sonho, acontece o tempo todo, às vezes você está lá, as coisas no seu lugar, a vida seguindo o rumo, as mesmas pessoas e de repente acontece. Fica aquela dúvida no ar, o que foi aquele balançar nas folhas, o que foi o grito abafado. É um sonho é simples de se perceber o sonho, ele apenas é. Se tivermos a sensibilidade vaga ou esquecermos ela algum lugar, em cima do criado-mudo, pela manhã, antes do trabalho, será apenas mais um dia e o sonho passará sem que nada aconteça.
Outro dia me peguei no meio de um sonho, no meio pois fui arrancado de súbito da minha vaga percepção, era um bom sonho. Era dia e era noite ao mesmo tempo, fazia sol e chovia, havia calafrios soltos pelo ar me agarrado e chacoalhando e também havia ondas de calor sufocantes. E quando era mais noite do que dia, tudo se acalmou, era possível ver estrelas, planetas e sorveterias abertas pelo caminho. Quando o filme acabou, não rolaram os créditos e a vida prosseguiu, não havia créditos. As pessoas se foram uma a uma e todas juntas se aglomerando na saída frenética mas extremamente cortes, uma experiência humana que só o cinema proporciona, não se ganha oscar pela polidez rabugenta no cinema. Era noite e estava frio, o vento tocou-me rosto e se foi.
Um bom sonho permanece na mente um bom tempo, na minha, creio eu, por mais tempo ainda, pois a vida é o despertador dos sonhos e recentemente me desfiz do meu, despedaçando contra a parede, apreciando o som do vidro quebrando, as peças torcendo umas as outras e se quebrando em incontáveis micro-pedaços de nada importante.

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Alguém que escreve e compartilha, misterioso, simpático, romantico, delirante.

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