Era uma vez uma patrícia
quando criança
fez casinha com Cecília,
bateu pique com Aurélio,
roubou beijinhos de Murilo.
Era uma a Patrícia,
viveu em mundo belo
de lápis e palavra,
cresceu
e tem desejo
de ser borracha.

Vejo na parede de minha casa
antigos quadros pendurados,
antigos frutos da árvore genealógica
apodrecidos em meio à sombra
que não toca o sol.
Doces quadros pendurados amarrados
com arame para marcar como aviso
de quem vê seu fruto apodrecer.
E faz dele o meu.
Amargos quadros pendurados mutilados
sofrendo no apodrecimento,
sem sol e sem sombra.
Vê! e sente o cheio podre nos cômodos!
Confunde e desorienta a memória.
Só existe concretismo
nas convulsões sinápticas
de um febril estado insano.

ontem a noite, antes da meia-noite, apenas colocando a mão em brasa
Um vento que faz cócegas nos galhos da arvore
Uma sombra que projeta sutilmente sobre um banco
Um homem deitado sobre o colo de sua amada
Foi tu Deus, quem pintou esse quadro perfeito?
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Para Deus não se zangar muito comigo, vai que ele visita este blog
Tu me encantas
quando desencantas de mim
toda teoria e estudos
de minha filosofia e religião
(por ora, aqui semelhantes).
De que perfeição é utopia
que nem Freud sonhou.
Mas ao te ver em roxos
e os cabelos cintilando
a cor da árvore-símbolo
desta terra.
Vi utopia em
não perder-me em ti
e passar dez vidas longe de ti.
Já que, em ti,
encontra-se cravejada
a real face da beleza.
Mas somente eu, poeta de mentira,
sei que só em ti
encontro refletido
a real face de meu amor.
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I
Se te amo é porque
para mim
tu és todas as mulheres.
Mas me basta apenas uma.
Intriga-me tu ser tantas
e a insaciedade de meu ser
faz me querer-te inteira
e só minha
e só teu.
II
Só no deseja
e na vontade
é que posso me tornar reflexo
do fogo que queima
e atende por paixão
e para a mulher, verdadeira,
em minha frente,
para que sinta e veja
verdade de meus olhos
III
Escrever, em verdade, é erotismo explícito.
Pois a grafite toca o papel
para escreve coisas doces e suaves,
como os toques do amante
também viril e frenético
como a consumação do ato.
Escrever sobre ti é erotizar duas vezes.
Uma no ato físico, no papel.
Outra em minha mente,
criando os desejos mais secretos
Imaginando surgir sorriso em seu rosto
após o espasmo do prazer final
deixar suavemente teu corpo
IV
Agora que a noite entra em sua hora nobre,
a saudade se torna evidente em mim.
Mesmo com a companhia de todas as estrelas,
sinto um pesar grande pela tua ausência
e o desejo cresce em mim a cada instante.
Pois te fazer feliz alegra meu ser.
Abraçar-te e te acariciar conforma-me,
já, que és a minha derradeira conquista.
Se para Alexandre toda a terra não foi o bastante,
para mim, anseio mais do que amor mortal e comum,
enquanto me torno mais homem para correr e alcançar o sol,
nada que existe pode impedir a impetuosidade de meus desejos:
De me apaixonar, te amar e para sempre te ter e ser.
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um poema em 4 cantos
Na vida há de ser sempre assim.
Viver entre um dualismo de inconstâncias,
Se tornar uma ambigüidade que seja
E assim esteja sempre nela a pensar.
Eterno sempre tentar a esquecer
Mas não culpe o homem
Ou a tribo ao seu redor
Vê que Deus, grande brincalhão,
Fez tudo em pares opostos.
Para nunca descobrirmos qual o verdadeiro
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Recordo-me do tempo
Lembranças suaves e macias
Das histórias de Dejanira
De praça cheia e casas vazias.
Era domingo, como outros,
E calor como há tempos não havia
Era tempo de bater janelas
Pegar a família e deixar a casa vazia.
Aproveitar uma prosa no banco
Pedir a mãe a prenda que queria
Voltar depois, num passeio vigoroso,
Tranqüilo por encontrar a casa vazia.
Ontem foi domingo, como outros,
E calor, como há tempos não havia
Foi triste encontrar lojas abarrotadas
E os bancos e praças, vazias.
Não se desfruta mais conversas
O vento sopra e só eu sinto alegria
Paro e descanso na sombra e no banco
Mas que graça há numa praça, vazia.
Tanto quanto olhar a alma das pessoas
Encontrado apenas elas, vazias.
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Em tempo, feita faz 10 minutos
Dejanira é o nome de minha querida avó
A noite quando nos vemos
Um simples trocar de olhos
Apaixonados
Faz-me estremecer como que por acaso
Um raio me partisse ao meio
E eu ficasse atônito e paralisado
A noite quando nos olhamos
Escuto paciente teu silencio
Afino meus ouvidos para decifrar
O que tu não me dizes
A noite quando nos abraçamos
Eu sinto uma grande orquestra tocar em mim
E as palavras já não fazem mais sentidos
Pois não existe mais silencio
E palavra bem dita
Só tem efeito aguardado
No suspense da quietudade que ela se esconde

Feito a alguns dias, um tanto cheio de imagens
Acordo a noite e vejo
Uma doce bailarina
Se contorcer em meus olhos
Suas vestes, púrpuras, rasgadas,
Desfazem-se a cada movimento
Mas quanta graça há no seu bailar
Convida-me e vamos
Conduz-me e me mostra,
Enquanto se faz a nudez em seu seio,
O singelo movimento
De cruzar as pernas
Me faz tocar seus músculos
E sentir a doçura de tua carne
E a leveza de tua pele
Deitamos-nos
E eu sinto sua vontade em mim
Diz-me palavras fortes
Que batem na porta da razão
E escancaram as janelas da consciência
Se o verso diz:
A espada é a alma do samurai
Eu, atrevido, completo,
É aço sem valor
Sem espírito forte
Para domar a alma.

Um poema sobre coragem, acredite se quiser