Carlos Dias apresenta Poesigrafia

À mulher distante

Era uma vez uma patrícia
quando criança
fez casinha com Cecília,
bateu pique com Aurélio,
roubou beijinhos de Murilo.

Era uma a Patrícia,
viveu em mundo belo
de lápis e palavra,
cresceu
e tem desejo
de ser borracha.

Assinatura, Carlos Dias


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Resposta

Vejo na parede de minha casa
antigos quadros pendurados,
antigos frutos da árvore genealógica
apodrecidos em meio à sombra
que não toca o sol.
Doces quadros pendurados amarrados
com arame para marcar como aviso
de quem vê seu fruto apodrecer.
E faz dele o meu.
Amargos quadros pendurados mutilados
sofrendo no apodrecimento,
sem sol e sem sombra.
Vê! e sente o cheio podre nos cômodos!
Confunde e desorienta a memória.
Só existe concretismo
nas convulsões sinápticas
de um febril estado insano.

Assinatura, Carlos Dias

ontem a noite, antes da meia-noite, apenas colocando a mão em brasa


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O Pintor

Um vento que faz cócegas nos galhos da arvore
Uma sombra que projeta sutilmente sobre um banco
Um homem deitado sobre o colo de sua amada
Foi tu Deus, quem pintou esse quadro perfeito?

Assinatura, Carlos Dias

Para Deus não se zangar muito comigo, vai que ele visita este blog


Sonho de Freud

Tu me encantas
quando desencantas de mim
toda teoria e estudos
de minha filosofia e religião
(por ora, aqui semelhantes).
De que perfeição é utopia
que nem Freud sonhou.
Mas ao te ver em roxos
e os cabelos cintilando
a cor da árvore-símbolo
desta terra.
Vi utopia em
não perder-me em ti
e passar dez vidas longe de ti.
Já que, em ti,
encontra-se cravejada
a real face da beleza.
Mas somente eu, poeta de mentira,
sei que só em ti
encontro refletido
a real face de meu amor.

Assinatura, Carlos Dias


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Para ela

I

Se te amo é porque
para mim
tu és todas as mulheres.
Mas me basta apenas uma.
Intriga-me tu ser tantas
e a insaciedade de meu ser
faz me querer-te inteira
e só minha
e só teu.

II

Só no deseja
e na vontade
é que posso me tornar reflexo
do fogo que queima
e atende por paixão
e para a mulher, verdadeira,
em minha frente,
para que sinta e veja
verdade de meus olhos

III

Escrever, em verdade, é erotismo explícito.
Pois a grafite toca o papel
para escreve coisas doces e suaves,
como os toques do amante
também viril e frenético
como a consumação do ato.
Escrever sobre ti é erotizar duas vezes.
Uma no ato físico, no papel.
Outra em minha mente,
criando os desejos mais secretos
Imaginando surgir sorriso em seu rosto
após o espasmo do prazer final
deixar suavemente teu corpo

IV

Agora que a noite entra em sua hora nobre,
a saudade se torna evidente em mim.
Mesmo com a companhia de todas as estrelas,
sinto um pesar grande pela tua ausência
e o desejo cresce em mim a cada instante.
Pois te fazer feliz alegra meu ser.
Abraçar-te e te acariciar conforma-me,
já, que és a minha derradeira conquista.
Se para Alexandre toda a terra não foi o bastante,
para mim, anseio mais do que amor mortal e comum,
enquanto me torno mais homem para correr e alcançar o sol,
nada que existe pode impedir a impetuosidade de meus desejos:
De me apaixonar, te amar e para sempre te ter e ser.

Assinatura, Carlos Dias

um poema em 4 cantos


Culpe a Deus

Na vida há de ser sempre assim.
Viver entre um dualismo de inconstâncias,
Se tornar uma ambigüidade que seja
E assim esteja sempre nela a pensar.
Eterno sempre tentar a esquecer

Mas não culpe o homem
Ou a tribo ao seu redor
Vê que Deus, grande brincalhão,
Fez tudo em pares opostos.
Para nunca descobrirmos qual o verdadeiro

 

Assinatura, Carlos Dias


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O tempo que eu crio

Recordo-me do tempo
Lembranças suaves e macias
Das histórias de Dejanira
De praça cheia e casas vazias.

Era domingo, como outros,
E calor como há tempos não havia
Era tempo de bater janelas
Pegar a família e deixar a casa vazia.

Aproveitar uma prosa no banco
Pedir a mãe a prenda que queria
Voltar depois, num passeio vigoroso,
Tranqüilo por encontrar a casa vazia.

Ontem foi domingo, como outros,
E calor, como há tempos não havia
Foi triste encontrar lojas abarrotadas
E os bancos e praças, vazias.

Não se desfruta mais conversas
O vento sopra e só eu sinto alegria
Paro e descanso na sombra e no banco
Mas que graça há numa praça, vazia.

Tanto quanto olhar a alma das pessoas
Encontrado apenas elas, vazias.

Assinatura, Carlos Dias

Em tempo, feita faz 10 minutos
Dejanira é o nome de minha querida avó


Quietude

A noite quando nos vemos
Um simples trocar de olhos
Apaixonados
Faz-me estremecer como que por acaso
Um raio me partisse ao meio
E eu ficasse atônito e paralisado

A noite quando nos olhamos
Escuto paciente teu silencio
Afino meus ouvidos para decifrar
O que tu não me dizes
A noite quando nos abraçamos
Eu sinto uma grande orquestra tocar em mim

E as palavras já não fazem mais sentidos
Pois não existe mais silencio
E palavra bem dita
Só tem efeito aguardado
No suspense da quietudade que ela se esconde

Assinatura

Feito a alguns dias, um tanto cheio de imagens


Poesigrafia

Acordo a noite e vejo
Uma doce bailarina
Se contorcer em meus olhos
Suas vestes, púrpuras, rasgadas,
Desfazem-se a cada movimento
Mas quanta graça há no seu bailar
Convida-me e vamos
Conduz-me e me mostra,
Enquanto se faz a nudez em seu seio,
O singelo movimento
De cruzar as pernas
Me faz tocar seus músculos
E sentir a doçura de tua carne
E a leveza de tua pele

Deitamos-nos
E eu sinto sua vontade em mim
Diz-me palavras fortes
Que batem na porta da razão
E escancaram as janelas da consciência

Se o verso diz:
A espada é a alma do samurai
Eu, atrevido, completo,
É aço sem valor
Sem espírito forte
Para domar a alma.

Assinatura

Um poema sobre coragem, acredite se quiser


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Sobre o autor

Alguém que escreve e compartilha, misterioso, simpático, romantico, delirante.

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