Carlos Dias apresenta Poesigrafia

Quietude

A noite quando nos vemos
Um simples trocar de olhos
Apaixonados
Faz-me estremecer como que por acaso
Um raio me partisse ao meio
E eu ficasse atônito e paralisado

A noite quando nos olhamos
Escuto paciente teu silencio
Afino meus ouvidos para decifrar
O que tu não me dizes
A noite quando nos abraçamos
Eu sinto uma grande orquestra tocar em mim

E as palavras já não fazem mais sentidos
Pois não existe mais silencio
E palavra bem dita
Só tem efeito aguardado
No suspense da quietudade que ela se esconde

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Feito a alguns dias, um tanto cheio de imagens


Poesigrafia

Acordo a noite e vejo
Uma doce bailarina
Se contorcer em meus olhos
Suas vestes, púrpuras, rasgadas,
Desfazem-se a cada movimento
Mas quanta graça há no seu bailar
Convida-me e vamos
Conduz-me e me mostra,
Enquanto se faz a nudez em seu seio,
O singelo movimento
De cruzar as pernas
Me faz tocar seus músculos
E sentir a doçura de tua carne
E a leveza de tua pele

Deitamos-nos
E eu sinto sua vontade em mim
Diz-me palavras fortes
Que batem na porta da razão
E escancaram as janelas da consciência

Se o verso diz:
A espada é a alma do samurai
Eu, atrevido, completo,
É aço sem valor
Sem espírito forte
Para domar a alma.

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Um poema sobre coragem, acredite se quiser


Posted in Poesias/Poemas

O despertador

Eu percebo quando sonho, acontece o tempo todo, às vezes você está lá, as coisas no seu lugar, a vida seguindo o rumo, as mesmas pessoas e de repente acontece. Fica aquela dúvida no ar, o que foi aquele balançar nas folhas, o que foi o grito abafado. É um sonho é simples de se perceber o sonho, ele apenas é. Se tivermos a sensibilidade vaga ou esquecermos ela algum lugar, em cima do criado-mudo, pela manhã, antes do trabalho, será apenas mais um dia e o sonho passará sem que nada aconteça.
Outro dia me peguei no meio de um sonho, no meio pois fui arrancado de súbito da minha vaga percepção, era um bom sonho. Era dia e era noite ao mesmo tempo, fazia sol e chovia, havia calafrios soltos pelo ar me agarrado e chacoalhando e também havia ondas de calor sufocantes. E quando era mais noite do que dia, tudo se acalmou, era possível ver estrelas, planetas e sorveterias abertas pelo caminho. Quando o filme acabou, não rolaram os créditos e a vida prosseguiu, não havia créditos. As pessoas se foram uma a uma e todas juntas se aglomerando na saída frenética mas extremamente cortes, uma experiência humana que só o cinema proporciona, não se ganha oscar pela polidez rabugenta no cinema. Era noite e estava frio, o vento tocou-me rosto e se foi.
Um bom sonho permanece na mente um bom tempo, na minha, creio eu, por mais tempo ainda, pois a vida é o despertador dos sonhos e recentemente me desfiz do meu, despedaçando contra a parede, apreciando o som do vidro quebrando, as peças torcendo umas as outras e se quebrando em incontáveis micro-pedaços de nada importante.

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Alguém que escreve e compartilha, misterioso, simpático, romantico, delirante.

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